Pr. Afranio de Andrade
NÃO NOS ENVERGONHEMOS DO EVANGELHO
Gosto da expressão de Paulo,
quando afirma: “Pois não me envergonho do evangelho”, (Rm. 1: 16 a). São
palavras que encontram pleno eco em nossos dias, visto que muitos tentam
“alterar”, “contextualizar”, ou até mesmo “adulterar” o evangelho, a fim de que
sua mensagem se torne mais atraente para a sociedade moderna. Penso que, se
Paulo vivesse em nosso tempo, ele estaria esbravejando em razão daquilo que se
tem visto. Uma grande massa tem sido atraída por um suposto evangelho, que, na
verdade, está distante de ser o evangelho bíblico e autêntico, responsável por
impactar o mundo e transformar pessoas. O apóstolo iria bradar em nossos dias:
“não se envergonhem do evangelho!”; “Não se atrevam a alterar sua mensagem!”;
“Não diminuam suas demandas!”; “Não o ajuste a gosto da clientela!”; “Não o
confunda com mensagem de auto-ajuda!”; “Não o transforme em fórmula para o
sucesso!”; “Não o use como trampolim para a ascensão ministerial”; “Não
fragmente sua mensagem, a fim de atrair novas clientelas”, dentre outros brados
de indignação. O evangelho é Cristo e, por isso, imutável e sempre presente.
Ele traz o recado de Deus para o homem em todos os tempos e épocas. Paulo,
possivelmente, também se assustaria ao ver que não há somente a possibilidade
de se envergonhar do evangelho, mas ficaria (como em sua época) revoltado com
aqueles, que são a vergonha do evangelho. A expressão do apóstolo é uma verdade
sobre a qual devemos nos debruçar e refletir seriamente em nossos dias. Paulo
prossegue e apresenta as razões pelas quais não podemos nos envergonhar do
evangelho, tampouco ajustar sua mensagem, a fim de torná-lo atraente. Ele diz: “porque
é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. O evangelho
bíblico e autêntico é o poder de Deus para nos salvar, mas não se trata apenas
de uma “salvação da alma”, o evangelho nos salva de tudo, dirige nossos passos,
orienta nossas ações, aproxima-nos de Deus e de seus princípios. O evangelho
nos salva da condenação do inferno, visto que brada aos ouvidos de todos os
eleitos: “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8:
1), e ratifica essa verdade, dizendo: “Quem intentará acusação contra os
eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus
quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também
intercede por nós”
(Rm. 8: 33-34). Mas não para por aqui! O evangelho também nos
salva das influências vindas de um mundo distante de seu Criador. Paulo nos
ensina: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos
quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da
potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”
(Ef. 2: 1-2).
O evangelho nos tirou desse contexto de trevas e de
influências de autoridades contrárias ao curso de Deus. É pelo evangelho que
nossa mente é protegida e nossos pensamentos orientados de acordo com valores
que não pertencem a esse mundo. Não seremos levados pelas opiniões que tentam
nos incutir. Por fim, tenhamos a certeza que o evangelho nos concede um grande
livramento, ele nos salva de nós mesmos, de sermos entregues à nossa natureza
humana, pecaminosa e alienada de Deus e de seus valores e princípios. Paulo
prossegue ensinando: “entre os quais também todos nós andamos
outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e
dos pensamentos” (Ef. 2: 3). Talvez a parábola do filho pródigo seja o
texto que mais nos exemplifique o que é o ser humano entregue a si mesmo. Somos
capazes de desprezar as coisas eternas e de valor incomparável, com o objetivo
de realizar nossas vontades egoístas. Pois foi desse cativeiro interno que o
evangelho nos livrou. Sua mensagem é libertadora e capaz de romper com as
algemas que encarceram o ser humano em si mesmo.
O evangelho é a mensagem
divina que revela a soberania e majestade de Deus, assim como expõe a pequenez
e eterna dependência de todos nós. Por isso, não nos envergonhemos, não nos
deixemos levar pelo “outro evangelho”, não sejamos seduzidos por propostas de
sucesso em nome de um “evangelho” de homens. Sejamos autênticos, entendendo que
evangelho basta, pois é suficiente e poderoso para nos salvar de toda
condenação, das influências desse mundo e das algemas que nos aprisionam em nós
mesmos. Somos livres e, dessa forma, jamais nos deixaremos levar por qualquer
outro jugo, que não seja o jugo de Cristo.
No amor do Senhor,
Pr. Afranio de Andrade