sexta-feira, 25 de novembro de 2011
VIDA ABUNDANTE, ISSO É UMA REALIDADE EM NÓS?
"O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." (João 10: 10)
Posso ler esse texto milhares de vezes e ainda assim serei impactado pelas palavras de Jesus, Ele veio para que nós vivêssemos, para que tenhamos abundância de vida, vida com propósito. Muito diferente da vida vazia e sem sentido que o mundo nos oferece. Entretanto, fico a perguntar: Será que nossas vidas expressam essa verdade? Será que desfrutamos dessa abundância de vida? Será que há um propósito sublime nos dirigindo? Ou será que, como todos os demais, estamos sendo levados como reféns por uma vida sem propósito? Às vezes penso que esses valores não tem nos acompanhado, que temos pensado e agido como esse mundo pensa e age. Precisamos, então, refletirmos em dois pontos:
(1) Como se caracteriza a vida abundante prometida por Jesus, que se estabelece como marcas inconfundíveis da presença do seu reino em nós?
(2) Por que isso não tem sido uma realidade em muitos cristãos, embora o discurso e a crença estejam em conexão com essa verdade? Começarei abordando alguns aspectos da vida abundante para depois pontuar algumas coisas sobre os porquês de isso não estar sendo, muitas vezes, uma realidade prática.
A primeira coisa que devemos considerar é sobre a essência da vida abundante, posto que não seja uma vida qualquer, mas a própria vida de Deus em nós, algo que não se encontra no mundo nem é alcançado pelo esforço humano. Ele nos deu vida, diz Paulo (Ef. 2:1). Na verdade, Ele nos deu a sua própria vida. O segundo aspecto da vida abundante é um desdobramento do primeiro, ou seja, é uma vida que está oculta em Deus, e só se manifesta quando Ele se manifesta em nós (Cl. 3: 3-4). Isso nos ensina que jamais desfrutaremos dessa vida plena enquanto estivermos presos em nossa própria maneira de viver, uma maneira de viver, da qual já fomos resgatados, conforme ensina o apóstolo Pedro (1 Pe. 1:18). Para viver essa vida, que está oculta em Deus, é necessário morrer para todos os conceitos do mundo (Mt. 16: 25). A vida abundante também se caracteriza pelo fato de possuir uma direção clara e definida, um senso de missão dominante, que não permite que qualquer coisa venha nos tirar o foco de nossas realizações, uma vida que revela a razão da nossa existência, pois foi assim que Deus nos criou, com um propósito bem definido (Gn. 1: 26-28). Por fim, posso dizer que a vida abundante é algo que não depende de circunstâncias externas para nos revelar a verdadeira felicidade, pois nossa felicidade está na descoberta do propósito da nossa existência, isto é, vivermos inteiramente para glória de Deus. Quem não sabe a razão da sua existência vai depender sempre de situações externas para ser feliz. Descobrir essa verdade é o mesmo que saber que a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes, conforme falou Jesus (Mt. 6: 25-26).
Mas quais serão os motivos que impedem o manifestar dessa vida abundante? Por que ela não tem se desenvolvido como deveria, pelo menos em grande parte da cristandade? Segundo penso, esses são alguns possíveis motivos: O primeiro deles é o fato de que, em muitas ocasiões, o ladrão ainda tem prevalecido. Quando me refiro ao ladrão, não menciono, necessariamente, satanás, mas tudo e todos que tem tentado impedir o fluir do rio de Deus na vida do ser humano, isso quer dizer que o ladrão pode ser nós mesmos. A vida abundante também é impedida quando insistimos em entrar por caminhos que não foram preparados para nós, tentarmos outras portas que não são as portas de Deus.
Jesus nos ensinou a porfiar por entrar pela porta estreita (Mt. 7: 13-14). Tudo e todos que vieram antes da porta não é a porta verdadeira (Jo. 10: 8-9). Tudo que nos influencia negativamente tem parte com o ladrão! Entendam também que podemos bloquear a vida abundante quando damos ouvido a outras vozes que não seja a voz do mestre. Essas vozes podem vir de nós mesmos, da opinião dos outros, das próprias circunstâncias, do nosso passado, enfim, se quisermos viver a vida abundante temos que dar ouvido somente a Ele (Jo. 10: 17).
Jesus veio para que tenhamos vida, que é direito nosso, uma vida plena, uma vida com propósito, uma vida moldada nele, que faz tudo cooperar para o nosso bem. Isso tem sido realidade? Que o Espírito nos conduza pela porta que nos leva ao caminho da vida abundante!
No amor do Senhor,
Pr. Afranio de Andrade
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
NÃO BASTA CONHECER, É PRECISO IR A CRISTO
“Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5: 38-39)
Penso na importância de refletirmos nessas palavras de Jesus, pois elas tem muito a nos falar nos nossos dias. Jesus está confrontando os religiosos de sua época, partindo de um ponto positivo, ou seja, o Senhor reconhece o zelo que eles preservavam pelas Escrituras, mas confrontava-os e apresentava o abismo existente entre a informação e a experiência. Eles examinavam as Escrituras, criam, de forma certa, que elas tinham a vida eterna, contudo, tal conhecimento não foi capaz de levá-los a uma experiência com a própria vida, testemunhada pelas Escrituras. Assim, aqueles religiosos se enchiam de conhecimento e ficavam vazios de vida. Mas será que isso tem alguma coisa a nos ensinar hoje? Até que ponto podemos incorrer no erro dos judeus? Às vezes erramos em não unir nosso conhecimento com nossa experiência. Tenho visto muita gente passar por momentos difíceis, mas não recorrer à fonte certa. Creio que esse texto deseja falar aos nossos corações, visto que não basta ter conhecimento; é necessário ir à fonte eterna chamada Jesus Cristo. Pensando assim, desejo considerar dois fatores com vocês.
1- É possível sermos verdadeiros nas nossas convicções teológicas e não experimentarmos o poder de nossa fé.
Os judeus estavam certos em sua busca, mas estavam cegos para enxergar a realidade da vida eterna, que estava diante deles. É preciso entender que somente a certeza teológica não nos leva à experiência com o que cremos como verdade. Não basta pensar certo, é preciso agir de acordo com o que cremos. Deus não só pensou em resgatar o homem, Ele agiu em função dessa convicção, enviando seu Filho para efetuar a redenção. A vida cristã se constrói sobre estes dois princípios inseparáveis: verdade e experiência, um princípio é interdependente com o outro, visto que buscar a verdade sem experimentá-la é o mesmo que nos encher de informações improdutivas. Mas, por outro lado, sairmos em busca de experiências, sem que estejamos fundamentados na verdade revelada nas Escrituras, é suicídio espiritual, posto que tal atitude pode nos levar a um misticismo religioso, capaz de tirar o nosso pé do chão, desviando-nos totalmente da verdade bíblica. Nossas experiências devem ratificar a verdade contida nas Escrituras. A vida cristã é mais do que uma contemplação da verdade, é também uma experiência com essa verdade. Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo. 8: 32). Isso significa se apropriar da verdade, ter experiência com ela, do contrário, seremos como aqueles judeus, crendo na verdade, mas não tendo vida produzida no nosso interior, em decorrência da verdade crida. Dessa forma, estejamos conscientes de que é possível conhecer o caminho, mas não entrar por ele.
2) Jesus não deseja que apenas creiamos nele, Ele nos convoca a experimentá-lo.
Não poucas vezes o Senhor convoca as pessoas a experimentá-lo e não somente em crer em suas palavras. Um exemplo clássico disso está no convite aos cansados e sobrecarregados pelas demandas e intempéries da vida, para os quais o mestre se dirige e diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt. 11: 28). A convocação é clara: “vinde a mim”. É certo que sabemos que ele é o nosso socorro bem presente, o alívio, a fonte de nossa renovação, mas nem sempre vamos a ele quando passamos por esses momentos. É possível até ensinarmos aos outros sobre ir a ele e encontrar descanso e, mesmo assim, nós mesmos não fazermos o mesmo. Muita gente ainda procura o alívio e o descanso necessários, nos entretenimentos da vida, nos momentos de lazer, nos passeios, nos lamentos com outras pessoas, nas religiões. Essas ações podem ajudar, mas do alívio e do descanso verdadeiros só podemos desfrutar quando experimentamos dEle. Em outro episódio o mestre bradou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo. 7: 37). Onde saciamos nossa sede? Estamos convictos de que Ele é a nossa fonte inesgotável, mas quantos de nós tem ido a Ele nos momentos de sede, seja ela de qualquer dimensão? Às vezes a fome é espiritual, mas em outros momentos pode ser sede de justiça, carinho, atenção, companheirismo, enfim, não importa a sede, o fato é que só existe uma fonte e só podemos desfrutar se tomarmos a decisão de ir à ela. Como Ele disse à mulher samaritana, sempre que insistirmos em outra fonte, voltaremos a ter sede, pois nada nos sacia permanentemente. Por isso Ele diz: “Aquele, porém, que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que Eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para vida eterna” (Jo. 4: 14). Só o Senhor é a fonte eterna, entretanto só esse conhecimento não basta. É preciso ir à fonte e saciar-se completamente. Outras palavras do Senhor, que me vem à mente, são as que Ele profere ao se referir como sendo a porta, que conduz à salvação: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (Jo. 10: 9). Não há outro nome pelo qual os homens podem encontrar salvação (At. 4: 12), não há outra porta. Mas não é suficiente ter essa convicção teológica, a salvação requer uma resposta nossa, e essa resposta só pode ser dada quando vamos a Ele e entramos pela porta. É interessante termos uma visão mais abrangente dessa salvação, visto que muitos já se consideram salvos por Jesus Cristo. Porém não é só a salvação da alma. É também a salvação do engano, das tribulações, dos nossos inimigos (físicos e espirituais) e até de nós mesmos. Só encontramos a salvação quando vamos a Ele.
Amados irmãos, em tempos tão difíceis como os nossos, onde temos buscado refúgio, descanso, alívio e salvação? Nos homens? Nas religiões? Ou em outro refúgio? Ele é o nosso refúgio e fortaleza e somente nEle temos o que precisamos. A certeza de Pedro deve falar ao nosso coração: “Para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” (Jo. 6: 68).
No amor do Senhor,
Pr. Afranio de Andrade
PR. AFRANIO DE ANDRADE É PEDAGOGO, PROFESSOR E FUNDADOR DO MGV
PR. AFRANIO DE ANDRADE É PEDAGOGO, PROFESSOR E FUNDADOR DO MGV
Assinar:
Comentários (Atom)